Todo ano a escola de Gabriel fazia um almoço no último sábado antes das férias.
Cada família levava alguma coisa.
Naquele ano havia tanta comida que Gabriel achou impossível alguém sair dali com fome.
Dona Cida trabalhava na escola.
Desde cedo ela organizava mesas, buscava cadeiras, colocava pratos, limpava o que caía e ajudava quem precisava.
Gabriel passou por ela carregando um copo de suco.
— A senhora não vai comer?
— Daqui a pouco.
Gabriel continuou.
Mais tarde, encontrou Dona Cida levando uma travessa para outra mesa.
— Ainda não comeu?
— Daqui a pouco.
Gabriel olhou para as mesas.
Quase todas as cadeiras estavam ocupadas.
— Onde é o seu lugar?
Dona Cida parou.
— Meu lugar?
— Na mesa.
Ela riu.
— Depois eu sento.
Gabriel voltou para a mesa da família.
Olhou para o pai.
— Chega um pouquinho para lá.
— Por quê?
Gabriel puxou uma cadeira.
A mãe entendeu e colocou mais um prato.
Gabriel foi buscar Dona Cida.
— Tem um lugar aqui.
— Eu estou trabalhando, Gabriel.
— Mas depois todo mundo já foi embora.
A coordenadora da escola ouviu.
Olhou para Dona Cida.
Depois para tudo que ainda precisava ser feito.
— Ele tem razão.
Pegou a jarra de suco.
— Eu cuido disso.
O pai de Gabriel começou a distribuir alguns pratos.
Outra mãe levou uma travessa para a cozinha.
Alguns alunos começaram a recolher copos.
Dona Cida finalmente sentou.
— Só um pouquinho.
Gabriel tentou puxar a cadeira para ela.
— Eu sei sentar sozinha — disse Dona Cida.
Gabriel soltou imediatamente.
— Eu sei.
Ela começou a rir.
Gabriel colocou diante dela o maior pedaço de bolo que encontrou.
— Esse é o melhor.
— Você provou todos?
Ele olhou para a mesa.
— Não.
— Então como sabe?
— Porque é o maior.
Depois do almoço, muita gente ficou para ajudar a guardar as coisas.
Gabriel carregou duas cadeiras até uma porta.
Dona Cida apontou para o outro lado.
— É naquela sala.
Gabriel mudou de direção.
— Eu sabia.
— Claro que sabia.
No carro, a mãe perguntou:
— Qual foi a melhor comida?
Gabriel pensou.
— A mesa.
— A mesa?
— É. Tinha lugar para todo mundo.
E naquele almoço ninguém precisou preparar mais comida para colocar mais sorrisos à mesa.
Precisou apenas colocar mais uma cadeira.

